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A simplicidade do Evangelho e a sofisticação da Igreja
Publicado em 2015-02-20

O evangelho de Jesus Cristo é simples. Simples na forma e simples no conteúdo. Ele anunciou as boas novas do reino de Deus, demonstrou a presença do reino através de palavras, exemplos e ações. Convidou pessoas para estarem e aprenderem com ele. Morreu e ressuscitou. Após a ressurreição, encontrou-se com seus discípulos e os enviou para anunciarem as boas novas, integrando-os numa comunidade por meio do batismo, e prometeu estar com eles todos os dias, até o fim.

A história seguiu e os cristãos foram se multiplicando, organizando igrejas, criando instituições, formas e ritos. Porém, as instituições cresceram e suas estruturas se tornaram mais complexas e sofisticadas. Transformaram-se num fim em si mesmas. A simplicidade do evangelho foi substituída pela complexidade institucional.

Como igreja, corremos um grande risco. A simplicidade e pureza do evangelho já não provocam prazer na maioria dos cristãos ocidentais. É o vaso tornando-se mais valioso que o tesouro contido nele. Se a música não estiver no volume perfeito, o ar condicionado no ponto exato, a pregação no tempo apropriado, com conteúdo que agrade a todos os paladares e com o bom uso dos aparatos tecnológicos, talvez eu não me agrade desta igreja.

Justificamos a sofisticação com expressões como “busca por excelência”, “relevância”, “qualidade”. Parece justo. O problema é que a excelência ou a relevância do evangelho está exatamente na sua simplicidade. É cada vez mais fácil encontrar cristãos que acharam a “igreja certa” do que os que simplesmente encontraram o evangelho. A sofisticação da igreja mantém o cristão num estado de espiritualidade falsa e superficial. A maior deficiência do cristianismo não está na forma, mas no conteúdo. 

A verdadeira experiência espiritual requer um coração aquecido pela obra de Cristo. Precisamos elevar nossos afetos por Cristo, seu reino, sua Palavra e seu povo, e não os níveis de sofisticação e exigências institucionais. O vaso deve ser de barro, sempre. O tesouro que ele guarda, o evangelho simples de Jesus Cristo, é que tem grande valor. A sofisticação produz queixas, impaciência, falta de caridade e egoísmo. A simplicidade sempre nos conduz a compaixão, sinceridade, devoção e auto-doação.

Pr. Artur Coelho




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