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Sem dó nem piedade (Pastoral de 10 de outubro de 1976)
Publicado em 2014-10-24

Um artilheiro francês, na última guerra, recebeu ordens de seu comandante para bombardear uma pequena casa onde o inimigo havia se alojado.

Terminada a operação e o objetivo atingido, o atirador desatou a chorar:

- É que aquela casa era minha, meu capitão.

- E por que não me contaste isso?

- Porque a um soldado somente cabe cumprir ordens.

Pois Deus nos manda pôr abaixo o nosso velho homem. Que foi, mas não pode mais ser, o nosso endereço. Nós é que precisamos demolir esse pardieiro.

Deus quer assim, mesmo sabendo que isso nos ponha lágrimas nos olhos.

Lágrimas nos olhos?

Mas por que, se ninguém que faz isso fica na rua? Por que se perdendo uma casa, acabamos ganhando outra, essa, sim: nova, bela, limpa e indestrutível, como é o novo homem?

Vamos artilheiro, o supremo dever de um soldado é cumprir ordens superiores: faça disparar a sua boca de fogo. Sem dó nem piedade.

Pr. Rubens Lopes




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